«Conheces o Bukowski? É o meu herói, sabias?... Tenho-o lá em cima, num pedestal. Encontrámo-nos uma vez ou duas. Numa delas encontrámo-nos sobre o mesmo palco em Pittsburgh na Pensilvania. Ele actuou antes de mim e insultou o público durante hora e meia. A seguir fui eu, mas ele não pôde ficar até ao fim porque sofria de hemorróidas e não se conseguia sentar. Foi a noite em que se divertiu a mijar pela janela. Eu muito tímido fui ao pé dele, abafado pela importância da personagem. E ele a dizer-me que eu tinha todo o interesse em portar-.me bem porque o Big Daddy ia ficar ali a observar-me.»
Maio de 1979«Há pessoas que preferem gastar o tempo no cinema a gastá-lo em qualquer outro lugar. Em certos dias eu chegava a ver dez filmes, passava o dia, das dez da manhã à meia-noite, viajando de um filme para outro. Nessa altura é o mundo exterior que se transforma num filme, o tempo que sobra ganha configurações muito estranhas, passa a ser ele que se torna bizarro e não os filmes.»
Outubro de 1985
«Como definir a minha música? Uhmmm...música para a cadeira eléctrica, talvez, música para os criminosamente loucos, música inofensiva. Não sei. É como o molho tabasco. Pode-se usar no peixe, na carne, nas aves. Repara, eu só oiço mesmo as minhas canções para me certificar de que estão prontas. Depois enxoto-as para a rua. Algumas voltam e ficam comigo, outras desaparecem. É um bocado como um naufrágio com todos aqueles destroços à volta a flutuarem.»
Agosto de 1987
«Por vezes ponho-me a ouvir os meus discos e penso: meu deus, como a ideia original era tão melhor do que esta mutação a que chegámos!...O que agora procuro fazer é agarrar imediatamente o que aparece e procurar mantê-lo vivo. É como transportar água com as mãos. Queremos levá-la toda e, às vezes, quando chegamos ao estúdio, descobrimos que já não resta nenhuma.»
Junho de 1989
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